Viver com depressão bipolar


Imagine acordar todos os dias sentindo-se mal, deprimido, com sensação de vazio no peito e sem vontade de sair da cama. Agora, pense que essa situação seja completamente revertida ao longo do dia, caminhando para uma euforia desmedida, que impede uma boa noite de sono, leva à atitudes impulsivas e comportamentos de raiva e irritação extrema. E após todos esses sentimentos e emoções, não saber quando a tristeza ou a euforia vai passar ou começar novamente. Essa é apenas uma das realidades e ciclos que uma pessoa que sofre com a depressão bipolar pode enfrentar.

Um episódio depressivo bipolar, nome utilizado pelos médicos para designar os episódios de depressão do transtorno bipolar, não tem tempo limitado e podem durar dias, semanas ou meses, dependendo sempre do grau e intensidade da patologia, já que a depressão bipolar pode variar de pessoa para pessoa.

Além disso, os momentos de euforia podem levar o indivíduo a ter alteração do sono, perda do senso crítico e comportamentos compulsivos como comprar demais, consumir álcool e drogas, ser muito ou pouco proativo e gerar outros problemas psiquiátricos, como a ansiedade.

Segundo a Associação Brasileira de Psiquiatria, de médio a longo prazo, a condição fica mais grave, as crises mais frequentes e fortes e os portadores respondem cada vez menos à medicação. “Por isso, começar o tratamento com a medicação e auxílio adequados é essencial para dar ao indivíduo qualidade de vida e saúde”, complementa o psiquiatra José Alberto Del Porto.

Os altos e baixos do transtorno bipolar são muito mais desgastantes do que se imagina e podem causar danos não só a saúde mental, como também à função cerebral do portador. Estudos divulgados nas revistas científicas “Translational Psychiatry” e “Current Psychiatry Reports” mostraram que o transtorno bipolar é progressivo e pode levar à perda da função dos neurônios.

De acordo com a pesquisa, as crises de manias são acompanhadas da descarga de substâncias como dopamina e glutamato. E na tentativa de controlar o acúmulo de neurotransmissores, o organismo manda para a região células protetoras, que produzem inflamação, causando a perda de conexões entre os neurônios, o que pode afetar a área responsável pela memória ao longo dos anos, caso a condição não seja tratada.

Referências:

ABP – Associação Brasileira de Psiquiatria