Transtorno bipolar é a condição que mais leva ao suicídio


Especialista faz alerta sobre a importância do diagnóstico

O transtorno bipolar, condição que atinge cerca de seis milhões de brasileiros segundo a Associação Brasileira de Familiares, Amigos e Portadores de Transtornos Afetivos – ABRATA1, é uma condição mental crônica, caracterizada essencialmente por alterações de humor radicais sem explicação aparente. A oscilação de humor pode ser repentina e variar entre euforia, agitação e irritabilidade para a depressão, quando os portadores se sentem muito tristes e sem esperança. Estes altos e baixos são chamados de episódios e variam em frequência e duração.

De acordo com o psiquiatra José Alberto Del Porto, um episódio de mania pode durar dias ou semanas e levar à alteração do sono, perda do senso crítico e comportamentos compulsivos como comprar demais ou consumir álcool e drogas. Além disso, também pode desenvolver a depressão bipolar, que se refere exatamente à fase depressiva do transtorno bipolar, que é caracterizada por tristeza profunda, apatia, isolamento social, insônia, fadiga, perda de peso, dificuldade de concentração, baixa autoestima e pensamentos recorrentes de morte e tentativa de suicídio.

“Alguns indivíduos com transtorno bipolar levam até 10 anos para descobrir o problema, já que o diagnóstico costuma ser difícil, tanto por ser pouco conhecida quanto pela confusão dos seus sintomas com os de outros tipos de depressão”, explica o especialista.

Tais sintomas costumam surgir entre os 15 e os 25 anos de idade, mas podem se manifestar em qualquer fase da vida, trazendo graves prejuízos no trabalho, aos estudos, à família e à vida social. De acordo com a Associação Brasileira de Psiquiatria, além de ser mais comum do que se imagina, o transtorno bipolar é a condição mental que mais causa mortes por suicídio. Segundo os dados, cerca de 2,2% dos brasileiros têm a doença, e destes, 15% acabam tirando a própria vida.

Ainda segundo o psiquiatra, embora não tenha cura, a depressão bipolar tem tratamento. No entanto, é essencial saber que o tratamento não é o mesmo de outros tipos de depressão e tratar a depressão bipolar com antidepressivos, por exemplo, pode acentuar os sintomas maníacos. “O que diferencia bastante o diagnóstico dessa condição é que, em geral, os indivíduos têm perda de energia repentina na fase depressiva, enquanto nos outros casos a pessoa sente como se a vida não valesse mais a pena”, explica.

O histórico também é decisivo para o diagnóstico correto, já que episódios prévios de alterações de humor, sintomas depressivos antes dos 25 anos, histórico familiar de perturbação do humor ou suicídio e ausência de resposta ao tratamento com antidepressivos podem alertar para o diagnóstico da depressão bipolar.

Referências:

ABP – Associação Brasileira de Psiquiatria

ABRATA – Associação Brasileira de Familiares, Amigos e Portadores de Transtornos Afetivos